e o Afeganistão vai às urnas
não foi esse exemplo máximo de democracia, mas os afegãos puderam, hoje, votar em quem será seu próximo presidente desde que o Talebã saiu do governo há quase 10 anos. ainda não se sabe quem ganhará o pleito, mas as apostas estão todas na reeleição do atual presidente, Hamid Karzai.
lá no Afeganistão, para se eleger, o candidato deve conquistar mais que 50% dos votos. caso o contrário, é convocado um segundo turno. os presidenciáveis com mais chances de ganhar, por enquanto, são Karzai e Abdullah Abdullah, ex-chanceler do atual governo.
o curioso foi que, mesmo com todas as ameaças, e mesmo com a presença do Talebã, as eleições correram normalmente. houveram sim casos de atentados em um ou outro lugar, mas, no geral, quem queria votar conseguiu fazê-lo. até na província de Helmand, considerada “reduto de insurgentes”, a votação ocorreu em relativa paz.
mas tudo isso pode ser questionado. o governo afegão proibiu que a mídia divulgasse qualquer notícia sobre os atentados durante as eleições, e chegou até mesmo a prender jornalistas estrangeiros no País. quase um exemplo de democracia, mas aí ainda há o problema com a (falta de) liberdade de imprensa.
um passo de cada vez.
vBi
as eleições que ninguém viu nos EUA…
sim. Barack Obama foi eleito o novo presidente dos EUA. as eleições do país também foram uma das maiores em número de eleitores. sim, o mundo agora pode ficar mais tranquilo com a eleição do primeiro negro a ocupar o cargo máximo no mundo – não é, afinal? mas o que ninguém está lembrando é que não foram apenas eleições presidenciais que ocorreram nesta terça-feira nos Estados Unidos da América; diversos Estados votaram também assuntos muito mais importantes e polêmicos que decidir quem continuará como chefe máximo da maior potência mundial.
na Flórida, no Arkansas, na Califórnia e no Arizona, os revolucionários estadunidenses, os mesmos que elegeram Barack Obama seu primeiro presidente negro e descendente de africanos, regrediram no que diz respeito à democracia. nesses 4 Estados, foi votada também a chamada Proposition 8 (Prop. 8, ou proposição 8 em Português), que torna ilegal o casamento entre homossexuais. e os agora tão compreensivos cidadãos dos EUA, que elegeram um negro, votaram pelo “não”, ou seja, pela ilegalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornando a prática não só ilegal mas, agora, impossível de ser executada. a partir de hoje, essa também minoria da população regride no tempo e em seus direitos.
já no Colorado e na Dakota do Sul, a população votou contra o aborto. não é ruim nem bom. até hoje ainda há grandes discussões no mundo inteiro acerca do assunto. mas proibir o aborto não é também regredir na “democracia”? afinal, não teria a mulher seu direito de recusar um filho indesejado ou o qual vá nascer já fadado à morte devido a alguma doença?
o exemplo de “democracia” tão disseminado pelos EUA não é lá isso que todos pensam. sim, agora podemos todos respirar aliviados com o fato de que Obama foi eleito, mas não se consegue mudar, de uma hora para a outra, a mentalidade de todo um povo desacostumado às diferenças…
ótimas recomendações
Não sabia se ria ou se chorava. Depois de quase todo esse tempo sem assistir ao programa eleitoral – por falta de tempo, não de vontade -, resolvi hoje parar em frente à televisão para ver quem são os candidatos a vereador aqui em São Paulo. Tem o Netinho, a Salete Campari, o Tim Maia…Mas acho que aquele que mais impressionou foi o SÉRGIO MALLANDRO.
Sabem quem ele apóia? O Alckmin. E aí fica a pergunta: que tipo de apoio é esse?! Se eu fosse o Alckmin, teria vergonha de que meu nome sequer fosse citado por uma figura dessas! Desculpem-me, mas depois ninguém entende porque a política está como está. Como alguém me disse enquanto assistíamos ao horário eleitoral, “vereador parece mais profissão de desempregado”. O salário é bom, qualquer um pode candidatar-se e…gente como o Sérgio Mallandro infelizmente consegue votos o suficiente.
vBi
Campanhas digitais
Ainda falta muito para o Brasil chegar a um nível realmente irritante (porém eficiente) de marketing político. O povo reclama da meia hora reservada na televisão e nas rádios (de sinal aberto), mas por aqui a propaganda política ainda é muito restrita. Nenhum candidato, aparentemente, descobriu ainda o Twitter, porém, alguns poucos já encontraram, desde esta eleição, na disseminadíssima rede de relacionamentos Orkut, um meio de mostrar-se.
Falo do Twitter porque, claro, estou maravilhado com a ferramente, mas são poucos os candidatos que possuem blogue ou que usam do meio digital – em expressiva ascensão – para fazer propaganda política. O que é uma pena. Nos Estados Unidos, por exemplo, a prática já é mais ou menos comum, bem mais do que por aqui, é certo. Lá, os principais candidatos à presidência possuíam perfis no Twitter, blogues (do Obama e do McCain), perfis em algumas redes de relacionamentos, banners espalhados por quase todos os sites importantes e propragandas em páginas acessadas em massa por jovens, como MySpace.
A estratégia de ambos os candidatos é ótima, e poderia ser adotada no Brasil. A internet é, hoje, um dos principais meios de comunicação e divulgação de informação, e o País é um dos líderes no ranking de acessos. Falta somente aos marqueteiros um pouco menos de conservadorismo e maior visibilidade para entender que o futuro está aí. Os recursos que a Web 2.0 nos oferecem podem e devem ser explorados, porque a geração posterior – nós que votamos agora – está mais que ligada a isso.
vBi
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