veja Bien…

um olhar inusitado sobre os fatos.

Record lança R7 sem nada demais

o R7, portal da Rede Record de televisão, não faz alusão ao G1 da Globo apenas no nome. todo o site parece uma cópia piorada do globo.com. a Record não se deu ao trabalho nem mesmo de mudar as fontes e a localização dos menus. até a cor azul da página da Globo foi copiada descaradamente.

em termos de conteúdo, ainda é muito cedo para falar do R7. provavelmente, espera-se que ao menos isso seja feito pela própria Record, sem copiar – ou, melhor dizendo, “inspirar-se” no concorrente. destronar o G1 é uma pretensão grandiosa demais à qual os bispos da Universal lançaram-se; é um jogo extremamente arriscado e que exigiria, no mínimo, originalidade na hora de lançar um website. no mundo online, já é sabido que “mais do mesmo” não tem atrativo nenhum.

parece, inclusive, que a Record pegou um pouco de cada concorrente e misturou tudo, o que resultou em uma página da web sem sal. as semelhanças com o portal IG – como era antigamente, mas também um pouco com o atual – também são explícitas.

que pelo menos o jornalismo do R7 consiga ser de enorme qualidade, porque, se não, não há graça nenhuma no portal que prometia mudar o jogo na web e fazer frente aos gigantes já consolidados. não dá para tentar revolucionar uma rede que, em sua essência, é absolutamente conservadora.

página principal do R7

página principal do R7

página inicial da globo.com

página inicial da globo.com

vBi

Setembro 27, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

Resenha CD Tropicália

Chamar um CD como Tropicália ou Panis Et Circensis de psicodélico, louco, anárquico, é cair em um clichê sem fim sobre o movimento que marcou tão fortemente a formação cultural brasileira durante a ditadura militar. E, ainda assim, é quase impossível não recorrer a esses adjetivos tão comuns uma vez ou outra. Tropicália é um disco que começa sem começar, chega no seu meio perdido e termina como algo que tem um desfecho duvidoso. E ainda assim é genial.

No ano de 1968, enquanto era decretado o Ato Institucional de número 5, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé, Rogério Duprat e outros grandes nomes da MPB juntavam-se para gravar um dos “100 maiores discos da Música Brasileira” e, também, uma das maiores críticas da arte pela própria arte.

A primeira curiosidade da compilação é ter uma faixa que não é brasileira – em um disco que representa um movimento basicamente nacional de contestação artística popular. Três Caravelas, interpretada pelos grandes Caetano e Gil, é uma versão de João de Barro de Las três Carabelas, de Augusto Algueró e Moreau. Nada que comprometa o andamento da obra, mas atrai o olhar curioso de quem para para ouvir tendo como base todo o histórico do movimento tropicalista.

Quem escuta a Tropicália logo de começo depara-se com um CD difícil de engolir e digerir. Parece que não tem uma evolução linear. Começa com Miserere Nóbis, música bastante animada, e passa direto à interpretação arrastada de Caetano de Coração Materno. Logo em seguida, Os Mutantes voltam a colocar força na compilação com Panis et Circensis – ainda hoje lembrada e escutada com paixão -, e já aí o ouvinte entende que isso tudo pode não só ser proposital como bom no fim das contas.

A mistura de estilos brasileiros entre si e com influências estrangeiras fez da obra alvo de inúmeras críticas conservadoras. O que talvez tenha passado despercebido é que, talvez, tudo fosse proposital; mesmo o uso de guitarras elétricas e influências psicodélicas poderia ser a própria crítica do trabalho artístico. E, afinal, tudo serviu para dar à compilação sua cara extremamente brasileira: uma mistura de estilos e gêneros diferentes, faixas quentes, enfim, tropicais.

A sacada esperta da obra é que seu pano de fundo, seu fio condutor, está nas letras, não apenas nas melodias e/ou intérpretes. O que transforma o disco em fundamental são as músicas um tanto quanto estranhas, difíceis, “drogadas”. O que parece não ter sentido é aquilo que justamente faz de Tropicália uma obra contestatória tão lembrada. E é por isso que o não-sentido tem, afinal, toda a razão do mundo.

Parque Industrial e Geleia Geral, que parecem jogadas em meio a um monte de músicas que, só aparentemente, não têm conexão alguma, retratam o brasileiro e o Brasil. País e povo. O desenvolvimento econômico e seus reflexos na primeira e, como o próprio nome da segunda dá a entender, a mistura que é o brasileiro – nossos costumes, folclores, crenças populares, etc. São duas faixas que criticam também o modo como a vida no País era conduzida.

A faixa Parque Industrial ironiza ainda com a realidade e com aquilo que se dizia que o Brasil era – ou, antes, aquilo em que estava se transformando. Não é à toa que a “grande festa em toda a nação” era por algo “made in Brazil”, com z mesmo. Nem nossa própria cultura caminhava por caminhos nacionais; a influência estadunidense irritava os mais conservadores expoentes da cultura popular brasileira. E a ditadura militar que se justificava pelos avanços econômicos via uma de suas piores críticas.

O desfecho do disco, um Hino ao Senhor do Bonfim, traz a ironia de transformar um símbolo do popular em soberano, em pátrio. Enquanto o Hino Nacional – e todos os outros – coloca o Estado acima de tudo e todos, sendo louvado e adorado, “idolatrado” com gritos de “salve, salve”, a última faixa é responsável por rearranjar isso colocando em evidência o que vem do povo, uma crença popular brasileira.

É uma pena que, hoje, apesar de sua enorme importância e influência na formação cultural da música brasileira, Tropicália ou Panis et Circensis tenha caído quase que em esquecimento. Talvez as pessoas não estejam mais acostumadas ao tipo de som – então não seria a hora de algo parecido vir para quebrar alguns parâmetros? Embora algumas faixas continuem vivas no popular nacional, a grande maioria perdeu-se no tempo. O próprio movimento cultural parece ter ficado no anonimato. Ainda assim, vale lembrar que esse ainda é, se não o primeiro deles, um dos discos que todo brasileiro tem que ouvir antes de morrer.

vBi

Setembro 22, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações, repescadas | , , , , | Sem comentários ainda

Tolerância das diferenças e as diferenças da tolerância

teve ontem um seminário muito legal no Itaú Cultural, em São Paulo, sobre a tolerância religiosa entre Cristãos e Muçulmanos (no mundo inteiro, mas, mais especificamente, na Nigéria). a palestra foi dada por dois religiosos, o pastor James Wuye e o muçulmano Imam Ashafa, e faz parte do ciclo de debates Antídoto

apesar do enorme romaticismo de ambos, a palestra ainda foi muito boa. foi uma aula sobre como grupos distintos, que geralmente não se entendem, podem chegar não somente a acordos, mas conviver em paz, principalmente em zonas de conflito constante como a Nigéria, país no qual islâmicos e cristãos são inimigos há anos.

o trabalho de James e Ashafa é inspirador. ex-militantes, eles resolveram acertar suas diferenças e lutar pela compreensão mútua entre os dois grupos religiosos que representam na Nigéria. seu trabalho foi crescendo e, hoje, eles militam pela Paz mundo afora, dando palestras e tentando convencer as pessoas de que etnias e religiões diferentes podem conviver.

claro, sendo ambos religiosos, era de se esperar que o conteúdo do seminário também o fosse. não que eles falassem apenas de religião, mas apelavam bastante para isso. nada demais, na minha opinião, mas algo que pode não agradar muitas pessoas – falo isso baseado nos comentários que ouvi pós-palestra. o mundo só não é tão romântico assim para receber bem duas pessoas que pregam o diálogo acima de tudo.

o Antídoto continua até este final de semana.

vBi

Junho 25, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , , | Sem comentários ainda

Photographers, Reuters

para mim, o blogue mais sensacional do momento é o Photographers, da agência Reuters. a ideia é bem “simples”: os fotojornalistas da Reuters publicam suas melhores fotos, acompanhadas de texto. e o mais bacana de tudo é que os textos seguem bem aquele padrão jornalístico estadunidense: como se os jornalistas estivessem contando uma história, mas acompanhada das fotos – extremamente ilustrativas, claro.

reuters photo

outro dia teve uma postagem que me fez levantar questionamentos acerca dos critérios de seleção de “melhor foto jornalística do mundo inteiro”, que aqueles prêmios costumam dar. não há uma foto do Photographers que eu não ache incrível, e não há um post que seja sem graça. hoje mesmo, o jornalista Fayaz Kabli, enviado à Cashemira, fez uma postagem sobre o conflito na região, e quais são os principais desafios de um enviado à uma zona de conflito. uma das fotos mais impressionantes, para mim, é a terceira, que mostra um soldado sozinho contra uma multidão que está atacando pedras nele.

também acho bacana o conceito do blogue de não ser uma coisa estritamente jornalística. quero dizer que alguns fotógrafos, como Kabli, postam para também dar dicas a outros fotojornalistas, ou para simplesmente contar alguma experiência. além disso, os conteúdos nem sempre são sérios! os posts podem ser sobre qualquer coisa, o que importa mesmo são as imagens – elas que definem o assunto, elas que devem ser ótimas.

além de tudo, é um blogue, geralmente, descontraído e leve. por mais que hajam posts sobre guerras e algumas imagens fortes, o grosso são os textos leves e imagens interessantes. mesmo quando o fotógrafo está em uma região de conflito, algumas vezes ele conseguiu capturar alguma cotidianice do lugar, alguma curiosidade do povo local, enfim, nem sempre algo de ruim…

vale muitíssimo a pena acompanhar! assinem o feed.

 

vBi

Maio 28, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , | Sem comentários ainda

você faz xixi no banho?

são maravilhas de campanhas como essa que fazem o dia de todos mais alegre. ainda bem que meu irmão colocou no Twitter!

http://www.xixinobanho.com.br/

o site – e a campanha – é da entidade SOS Mata Atlântica, que luta pela defesa ambiental. a ideia é simples: fazendo xixi durante o banho – e convenhamos, muita gente aí deve fazer -, a pessoa economiza, diariamente, 12 litros de água – uma descarga. imaginem se todos fizessem isso?

tá ok, parece nojento. quando ouve-se da primeira vez realmente não dá uma boa impressão. mas, como bem explica a campanha, todo o repúdio à prática foi criado, na verdade, pelo imaginário popular. a urina não traz doença, não é nojenta – quase 95% de água – e não afeta em nada. claro que ninguém está manjando fazer xixi no próprio pé! é só mirar no ralo!

 

vBi

Maio 7, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , , , , | Sem comentários ainda

quando o erro passa desapercebido…

quem assina a revista Veja deve ter se surpreendido com a edição desta semana, datada de 15 de Abril. a capa, que promete falar do novo sistema de vestibular, é mais enganosa do que parece, porque a revista não fala disso. aliás, a revista Veja desta semana não tem nenhum texto que valha realmente a pena ler, e sabem por quê? porque a versão impressa e entregue aos leitores é de 4 de Março!

a Veja de "15 de Abril"...parece mais piadinha de 1º de Abril com atraso!

a Veja de "15 de Abril"...parece mais piadinha de 1º de Abril com atraso!

 

 

sim, seria de se aceitar que um jornalista errasse uma matéria e esta passasse desapercebida em uma “reimpressão”. mas errar uma revista INTEIRA?!

comecei a perceber o erro quando reparei que muitas das fotos estavam repetidas. não gosto de ler a Veja, mas sempre a folheio. fui vendo e pensando “nossa, eles não têm nem criatividade para mudar as fotos das matérias”. mas aí vi uma nota sobre o carnaval. na próxima página, uma matéria que eu tinha certeza que já tinha lido. aí pensei “gente, que dejavu forte esse! vou jogar na mega-sena!”.

não deu para jogar na loteria. o problema era com a revista mesmo. fui olhar no rodapé de cada página e praticamente 90% da revista estava datada como sendo do dia 4 de Março. e não era erro na data. era mesmo a versão desse dia.

como eu já disse: ok a pessoa errar uma matéria, uma nota, uma foto. às vezes o editor está cansado. mas duvido muito que ele mantenha seu cargo depois de estragar uma revista por completo. e a confusão não foi nem de uma semana para a outra! foi com um mês de diferença entre as versões impressas!

 

não sei se vai dar pra ler, mas dá pra ver que é a mesma capa e a data da matéria é 4/3

não sei se vai dar pra ler, mas dá pra ver que é a mesma capa e a data da matéria é 4/3

 

 

não sei o que a Veja fará para consertar isso, se eles pedirão desculpas ou o quê. tenho quase certeza de que o problema foi geral, porque vi mais de um exemplar errado. agora a gente só ri da cagada e lamenta ser esse o nível do jornalismo deste país, em que uma das princiapais revistas de circulação nacional da uma reimprimida de uma versão do mês passado.

 

pra quem achar que é brincadeira, pegue a revista de 4/3 e veja se essa matéria e essa foto num aparecem lá também

pra quem achar que é brincadeira, pegue a revista de 4/3 e veja se essa matéria e essa foto num aparecem lá também

 

 

dá-lhe!

 

vBi

Abril 10, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , , , , | Sem comentários ainda

o show do ano (que ainda nem começou direito)

Thom Yorke ao piano: o ápice da música contemporânea

Thom Yorke ao piano: o ápice da música contemporânea

 

são 22h – no meu relógio, inclusive, um pouco antes disso. as luzes do palco do festival Just A Fest se apagam e o público começa a delirar. é o Radiohead que está entrando. é Thom Yorke que chega à frente do palco para saudar os brasileiros – muito embora sem falar nada por enquanto. aí que começa, com 15 steps, a apoteose indie nacional, o ápice de todas aquelas 30 mil pessoas que se reuniram na Chácara do Jockey, em São Paulo, para conferir o show tão prometido e nunca realizado até então.

o show do ano. alguém consegue bater?

o show do ano. alguém consegue bater?

 

não há palavras exatas que me venham à cabeça para descrever o show do ano. não por frescura, mas eu simplesmente não me lembro da apresentação. a dose de adrenalina e emoção foi tanta que é como se eu não estivesse ali naquele espaço. e, confesso, eu NÃO sou fã ardoroso de Radiohead, e, se soube cantar 10 músicas, foi demais – foram 26 ao total.

do momento em que entrou, até quando saiu oficialmente, afinal, foram 3 bis, o Radiohead emocionou, alegrou e contagiou o público. gente do Brasil inteiro tinha vindo para ver a apresentação histórica que, na minha opinião, está entre as 5 melhores de todos os tempos. e Thom Yorke e companhia certamente devem ter se emocionado com o calor e receptividade brasileiros, depois de tantos anos de espera ansiosa.

em três músicas, que eu realmente não lembro quais – volto a dizer: apaguei da minha memória, só lembro da sensação-, o grupo já tinha parado de cantar quando as possíveis 30 mil pessoas na Chácara do Jockey entoaram um coro arrepiante e continuaram a música. em um dos momentos, Yorke voltou a música e a banda acompanhou, perplexa, os fãs. era engraçado, principalmente para quem estava mais à frente, notar a expressão dos músicos, que não paravam de apaludir o público e emocionavam-se conosco. (o brasileiro não fez feio, huh?)

havia um sentimento, aliás, de se estar em um arco-íris, ou melhor, em vários arco-íris. sem exageros, mas a música do Radiohead levava as pessoas para outra dimensão, bem mais leve e colorida.

show, literalmente, In Rainbows

show, literalmente, In Rainbows

 

claro, todo o conjunto da obra ajudou o Radiohead a consagrar-se como “a apresentação do ano”. a montagem do palco e as luzes deram um toque especial a mais às canções – dramático e emocionante. surreal era estar vendo o Radiohead no Brasil em meio a uma confusão de luzes - In Rainbows? - e de sensações. as cores das luzes mudavam a cada música, e atingiram seu ápice ao final do show, quando, maestrosamente, o Radiohead tocou seu maior hit, Creep, e os canhões de luz que ficavam atrás da banda estouraram em diversas cores. outro momento que, embora eu quisesse muito lembrar e ter registrado em minha memória, não sei como foi. aliás, sei, porque lembro da sensação, da emoção, da beleza, mas não fisicamente das luzes.

o curioso da apresentação do Radiohead é que estava clara toda a importância daquele show. havia gente ali que era fã, meio fã, fã fervoroso, e gente que nem gostava tanto, mas queria ver o Radiohead porque era o Radiohead, porque eles estavam, finalmente, no Brasil.

o momento emocionante em que Thom Yorke tocou "Eveything In It's Right Place"

o momento emocionante em que Thom Yorke tocou "Eveything In It's Right Place"

 

 

não tem como negar que, mesmo o ano mal tendo começado, dificilmente alguém baterá o Radiohead. 2009 já é deles. e é deles porque seus shows aqui, antes de mais nada, estavam carregados dessa simbologia especial: a primeira vez que eles vinham ao País. também porque Radiohead é sinônimo de indie E de rocke, claro, porque eles não deixaram nada a desejar ao seu público e fizeram apresentações memoráveis, tanto no Rio quanto em São Paulo.

não há descrição boa o suficiente que explique o que foi esse show. não há fã que consiga pôr em palavras o que sentiu no dia 22 de Março de 2009. não existe ninguém que estivesse ali que possa dizer, efetivamente “o show foi assim” ou “assado”. e não porque não queiram ou não sejam bons o suficiente, mas porque, imagino que vão concordar, é impossível. impossível porque, nessa noite de 22 de Março, o Radiohead tomou conta deles, do corpo de cada um, e só nos largou ao som de Creep, quando todos já se desesperavam pelo fim de algo que poderia ter sido infinito.

"no matter how it ends. no matter how it starts"

"no matter how it ends. no matter how it starts"

Março 24, 2009 Publicado por Lucas | Música, comentários e observações | , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

um tal de “sexo” e um escritor que odeia seu país

quinta-feira, na faculdade, o escritor e publicitário André Sant’Anna foi dar uma palestra – seguida de uma coletiva – sobre um livro seu até que meio polêmico: Sexo. a obra, em si, confusa e um tanto quanto nojenta – muito embora esse fosse o intuito, aparentemente – não me chamou a atenção. depois de ler, tudo o que eu queria era falar com a pessoa que tinha se dado ao trabalho de escrever aquilo. (lembro, inclusive, que uma das perguntas que queria fazer era “qual o propósito de escrever isso?”. mas não perguntei.)

como o próprio André Sant’Anna falou em seu discurso, a internet é mesmo um meio livre em que qualquer um pode resenhar e criticar o que quiser. pois bem. eu admito que já não tinha gostado do livro, mas estava super curioso sobre o autor. até ele começar a falar.

André Sant’Anna me perdeu completamente quando resolveu entrar no discurso típico do “a grama do vizinho é sempre mais verde”. comentando sobre seu livro, resolveu explicar suas motivações para escrevê-lo, que iam desde um ódio inexplicável pelo Brasil ao fato de, aqui, “ser um fato que negros, pobres, fedem, afinal, passam o dia inteiro trabalhando, pegam ônibus e, portanto, fedem”. como sou jornalista, devo explicar que a frase tinha um contexto, para não parecer que ele foi extremamente racista! o escritor comentava um dos personagens do livro, um negro, que fede.

bom, como aluno, nós bem sabemos que não podemos simplesmente falar o que nos vem à cabeça sem temer retaliação, portanto fiquei calado. mas eu não enxergo a ligação entre ser negro, trabalhar e feder. então negro pobre trabalha só em áreas que o fariam, devido ao esforço físico, suar e feder? ou são todos os negros pobres que têm um “subtrabalho” desse tipo? tudo bem, eu entendo que ele não quis ofender e nem ser racista. longe disso. mas cuidado com as palavras é pouco.

o que mais me irritou nem foi isso. foi quando começou o discurso anti-brasil. porque aqui as pessoas “finjem ser o que não são”; brasileiro é, naturalmente, ignorante, sofredor e gosta de se fazer passar por feliz. enfim, depois de 2 dias, já não consigo lembrar exatamente o que ele falou, mas em suma, aqui as pessoas cometem as maiores barbáries e atrocidades, enquanto que, no resto do mundo – Europa e EUA, imagino, que é o resto do mundo pra muita gente -, as pessoas são civilizadas. o brasileiro seria “falso moralista”, preconceituoso, malandro demais. e ainda enganamos a nós mesmo com campanhas do tipo “o melhor do Brasil é o brasileiro” e “brasileiro não desiste nunca”. para o André, as pessoas supervalorizam o Brasil e o brasileiro.

o mundo não é 8 nem 80, como diz o ditado. esse patriotismo extremado é mesmo estúpido. também o é esse ódio em demasia pelo próprio país. essa autocrítica e mania de sempre se referir ao Brasil como lugar horrível aonde a devassidão e a sexualidade - carnaval - são quase que lemas de vida do povo, enquanto que na Europa todos são super comportado e fino, é simplesmente coisa fraca demais. ao meu ver, o brasileiro sabe sim ser feliz. o carnaval, só por meio de exemplificação, é a cultura do nosso país, gostemos ou não. isso nos define brasileiros. e, sinceramente, há uma frase sobre cultura que devia ser cravada na mente de todas as pessoas: “nada é melhor, nada é pior. tudo é diferente”.

tocar no assunto cultura e brasilidade comigo é pedir para: ou sair brigado, ou sair melhores amigos. não só porque eu trabalho com isso em uma ONG, inclusive, mas porque eu faço sim parte dos que acreditam no potencial do País. e odeio quem critica nesse nível, principalmente quando começam a argumentar coisas sem sentido e sem embasamento. se o brasileiro tem um defeito, não é ser pobre de cultura. porque isso não o somos. é ser muito autocrítico e ter essa mania estúpida de achar o outro sempre melhor. ninguém é perfeito. nem os alemães.

André Sant’Anna definitivamente me perdeu quando resolveu entrar no assunto. mas tudo bem. cada um tem sua opinião. do mesmo jeito que eu não gosto desse tipo de gente, ele deixou claro que não gosta de gente como eu. ficamos quites. meu problema não está com a crítica em si, mas com os argumentos. crítica é sempre boa de ser ouvida!

sobre a obra dele, simplesmente devo dizer para lerem o livro “Sexo” e tirarem suas próprias conclusões. pessoalmente, não gostei do livro. mas já não tinha gostado antes de conhecer o autor. talvez outro de seus romances sejam bons. este, para mim, não é. e não é porque eu não gostei do estilo, nada com o conteúdo.

 

vBi

Março 22, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , | Sem comentários ainda

um curioso caso

o meu mais novo “queridinho” dos cinemas é o tal do Bejamin Button. fui assistir ao filme somente ontem, em um desses tediosos domingos. e não me arrependi.

na verdade eu já estava querendo ver O Curioso Caso desde que vi o trailer na TV. exatamente por ter ficado curioso com aquilo! um cara que rejuvenesce ao invés de envelhecer? e principalmente: como diabos eles conseguiram fazer o Brad Pitt parecer um moleque de 20 anos?!

outra de minhas dúvidas, que é explicada bem ao início do filme, era como uma pessoa poderia nascer velha? ele ia sair como da barriga da mãe? mas não, o Bejamin Button não nasce velho exatamente. ele nasce um bebê. só que com as características de um velho. (e, o mais curioso de tudo é que ele morre bebê também).

o filme certamente desperta umas sensações estranhas em quem assiste. aqueles que têm medo de envelhecer não vão gostar muito, acho. mas mesmo quem é desencanado com essas besteiras sai pensativo. afinal, como é dito em uma das cenas, no final nós todos viramos “crianças”, de certa forma, e precisamos que alguém cuide de nós.

e o filme não é bom só pelo apelo filosófico. a história é ótima – quase não dá para sentir as quase 3 horas de filmagem – e os atores estão muito bem. a única coisa que confesso não ter entendido é o contexto “Furacão Katrina” do filme. a história inteira na verdade é em flashback, pois é uma filha lendo o diário de Benjamin para sua mãe – e elas, no presente, estão em um hospital enquanto o furacão se aproxima.

vale totalmente a pena ver, de qualquer forma. vá sair lá do cinema e colocar esse cérebro para raciocinar um pouco e ver o que realmente significa envelhecer.

 

vBi

Março 2, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações, recomenda-se | , , , | Sem comentários ainda

day and age

já está disponível pelo iTunes (e apenas por lá) o CD novo dos norte-americanos The Killers. o álbum é o terceiro deles e o quarto lançado pela banda – lembrando sempre que Sawdust, o último trabalho, era só uma coletânea de raridades e b-sides.

tentei por aqui procurar o CD nas lojas brasileiras, mas apenas o submarino está vendendo, e na verdade está fazendo uma pré-venda, pois o lançamento oficial no Brasil está previsto para 1/12. por enquanto, só quem quiser pagar para baixar as músicas pelo iTunes mesmo…mas ter o CD é sempre melhor, né?

capa do novo álbum do The Killers

capa do novo álbum do The Killers

esse terceiro álbum já será lançado com dois grandes hits, Human e Spaceman, os dois singles lançados recentemente. além disso, será um disco totalmente diferente de qualquer outra coisa que o Killers já tenha feito, segundo afirmou o próprio vocalista da banda, Brandon Flowers. desta vez eles resolveram ficar muito mais eletrônico, o que já parece ser uma tendência para essas bandas indie, e dançantes.

será que desta vez emplaca?

vBi

Novembro 24, 2008 Publicado por Lucas | Música, comentários e observações | , , , , , | Sem comentários ainda