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Segundo dia do MediaOn traz debate sobre como o jornalista deve trabalhar

O conteúdo online deve ser pensado exclusivamente para a internet, levando em consideração seu público e não reaproveitando material das mídias tradicionais. Foi em torno desse consenso que os debates do segundo dia do MediaOn, seminário de jornalismo online realizado pelo Terra, giraram. De acordo com vários dos expositores, nesse novo cenário é o leitor quem pauta os jornalistas, que veem-se desafiados a aceitar a nova forma de trabalho.

“Como deveria ser o jornal online?”, perguntou-se o palestrante Pedro Doria, colunista do caderno Link do O Estado de S. Paulo, no primeiro Painel, sobre revolução digital. “Toda informação sobre um determinado assunto deve estar em uma página, que é permanentemente atualizada e reúne uma comunidade de pessoas interessadas naquele assunto”, respondeu o jornalista à plateia.

Uma característica da ferramenta web é, portanto, poder atualizar constantemente as informações – sem, porém, perder a qualidade do conteúdo. “Tudo se resume em compartilhar informação, mas isso é bem mais difícil do que parece”, afirmou Nathalie Malinarich, editora-executiva da BBC News Online e palestrante do segundo painel. A grande dificuldade, ainda segundo ela, seria lembrar que as ideias adaptam-se à mídia na qual serão veiculadas, o que os jornalistas nem sempre se recordam quando vão publicar um material de mídia impressa. “A pergunta a ser respondida é: ‘como isto funciona para a minha audiência e na minha plataforma [online]?”, analisa.

Já outro dos palestrantes, o argentino Marcos Foglia, que apresentou o case do grupo Clarín, no terceiro painel, enxerga uma dificuldade dentro de cada um dos próprios profissionais em aceitar as mudanças e, principalmente, em acompanhar o ritmo da evolução. “Estamos na era da transição”, afirmou, “da transição dos meios offline para os meios online”. E o jornalista – em especial aqueles mais antigos -, ainda segundo ele, teria que aceitar essa mudança profunda em sua cultura; uma mudança dentro das próprias redações. “Os jornais vão desaparecer tal como existem hoje e terão que se adaptar à nova realidade”, afirmou.

No caso da rede britânica BBC, estão sendo feitos investimentos fortes na área do jornalismo na web. Mas lá, boa parte do patrocínio vem do dinheiro público. “O jornalismo de qualidade é caro”, lembrou Foglia. Foi o que aconteceu com a Rede Record no Brasil, por exemplo, que lançou há pouco mais de um mês seu portal R7 – que recebeu investimentos (privados) altos para sua implementação, no intuito de atingir esse padrão de qualidade alto. “Eu cheguei e falei ‘contratem os melhores’. Foi o único pedido que fiz”, contou Antonio Guerreiro, Diretor de Conteúdo do R7.

O profissional de web deve, segundo Nathalie, lembrar-se sempre de que desenvolve conteúdo para o leitor. É dessa consciência que viria a qualidade do jornalismo online. “Se você está na web, por exemplo, você linka as pessoas para outros conteúdos. É isso que [o jornalista] tem que fazer”, afirmou ela. Seu colega argentino, Marcos Foglia, complementou, mais tarde: “é imprescindível para esse novo profissional passar, portanto, a maior parte de seu tempo online”.

 

vBi

Outubro 28, 2009 Publicado por Lucas | Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

MediaOn, seminário de jornalismo online, começa discutindo a qualidade do profissional

O 3º seminário internacional de jornalismo online, MediaOn, realizado pelo portal latino-americano Terra, teve início nesta terça-feira, 27, com debate, no Itaú Cultural, com o jornalista investigativo estadunidense Joshua Benton sobre jornalismo de qualidade na web. Benton é também diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, e pesquisa justamente os rumos da profissão no meio online.

Para ele, que se diz um otimista, “neste mundo no qual há escolhas crescentes, as pessoas estão elegendo outras mídias que não as impressas para se informarem”. A internet, portanto, segundo o analista, veio para mudar profundamente o jornalismo, não para matá-lo, como muitos acreditam.

O pico de circulação dos jornais diários, nos Estados Unidos, deu-se durante o final da segunda guerra mundial, no ano de 1945. De lá para cá, as tiragens vêm diminuindo e as pessoas têm buscado outros meios de comunicação. “O declínio, portanto, começou muito antes de a internet chegar”, afirmou Benton. Os impressos, para ele, dificilmente deixarão de existir, mas terão de reinventar-se, assim como aconteceu com o rádio quando da invenção da televisão.

O que o especialista afirmou serem algumas causas, em seu país, para a crise da mídia impressa são a grande extensão territorial – o que dificulta a existência de um grande jornal de tiragem e abrangência nacional – e o alto número de pessoas conectadas à rede. Além disso, não há como negar os baixíssimos custos da internet quando comparados aos dos meios em papel – um anúncio de ¼ de página, por quatro domingos seguidos, custa em torno de 157 mil dólares, enquanto a mesma propaganda na web sai por 7 mil e quinhentos dólares por todo um mês.

Mas não é só o marketing que contribui para a decadência do jornalismo impresso tal como é conhece hoje. Os leitores também buscam algo a mais: menos de 1% dos internautas estadunidenses, por exemplo, visitam as páginas dos grandes veículos na web. “Enquanto que do ponto de vista do jornalista há informação demais, do lado do leitor poderia haver mais coisas”, afirma Joshua. Ou seja, o leitor busca informações e notícias por outros canais que não os tradicionais. É um movimento alavancado pela internet.

O papel do jornalista, nessa conjuntura, é atuar mais como filtro das informações online, levando o leitor para outros sites relevantes e direcionando-o para que se aprofunde no conteúdo de seu interesse. “Até hoje os jornais têm filtrado conteúdo que poderia ser interessante e dado prioridade apenas a um tipo de informação”, continua o jornalista. Ele citou como exemplos redações de poucas pessoas que, focadas nesse intuito de mais que informar, têm tido sucesso maior que as tradicionais páginas dos grandes jornais dos EUA. Em outras palavras, como aconselhou outro colega, Jeff Jarvis, em citação apresentada por Joshua, “façam o que fazem de melhor, e linquem o resto”

Dado todo esse cenário, o jornalista terminou sua palestra com um alerta para que os profissionais mantenham o alto padrão de qualidade da profissão: “a internet treinou as pessoas para ouvirem a informação através de uma espécie de contato social; ela não tolera descaso ou falta de comunicação entre o novo jornalista e o leitor”. E terminou lembrando que “nós [jornalistas] vamos ser as pessoas que lêem os websites para que os leitores não tenham que fazê-lo”, em uma alusão à ideia de Jeff Jarvis.

 

vBi

Outubro 28, 2009 Publicado por Lucas | cotidianices | , , , , , , , , , | 3 Comentários