resenha de entrevista de “Fred Halliday”
faz tempo que eu não posto…principalmente que não coloco alguma coisa feita para a faculdade. bem, hoje vou colocar um texto do qual nem gosto tanto assim do estilo, mas acho o conteúdo ótimo! a discussão que faço no texto, embora talvez nem tão bem articulada, é interessante. é uma “resenha” de uma entrevista que o cientista político Fred Halliday deu ao Globo News. como eu gosto desse assunto, dessas coisas relacionadas a cultura, resolvi postar. ah, para que fique claro, embora não pareça, eu sou muito mais adepto do Huntington que do Halliday. maaaas…
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“Deixe-me ser sincero. Não acho a cultura um elemento importante nas relações entre o Oriente Médio e o Ocidente.” É com essa frase categórica que Fred Halliday, irlandês e especialista em Relações Internacionais, responde quando indagado, em entrevista, sobre o “choque de civilizações”. O cientista político, especialista também em assuntos do próprio Oriente Médio, argumenta de forma bem diferente de Samuel Huntington – cientista político que criou a teoria de que os grandes conflitos da era atual serão de cunho cultural.
Para Halliday, os problemas na região do Islã e no mundo muçulmano são muito mais profundos que apenas relativos à cultura. Os árabes não estão preocupados com religião 24 horas por dia; não são todos terroristas e antiamericanos. Essas pessoas levam uma vida como qualquer outra, e têm preocupações tão banais que não explicam, em si, todos os conflitos.
Uma série de conceitos pré-concebidos acerca dos países do Oriente Médio pode ser a explicação para argumentos, segundo Fred Halliday, fracos. O livro 100 myths about the middle east, traz justamente os fatos mais correntes que os ocidentais costumam usar ao se referirem aos árabes e que, de verdade, pouco têm.
O cientista político irlandês não desmitifica 100 teses, mas ele mostra que algumas coisas são muito menos simplórias que simplesmente afirmar que “os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003, por causa do petróleo”. Muitas de nossas opiniões são baseadas em mito que chegamos a saber por uma mídia quase que exclusivamente ocidental – que tenta cobrir um mundo não-ocidental.
É claro que a cultura, porém, tem sua importância para Halliday. O que não se pode dizer é que existe um “choque de civilizações”, e que este se dá justamente apenas entre o Ocidente e o mundo árabe.
Os conflitos no Oriente Médio possuem raízes tanto na constituição dos Estados da região quanto em suas culturas e em suas políticas. O embate entre Ocidente – Europa e EUA – e islâmicos não é simplesmente uma diferença entre dois povos, mas entre ideologias diferentes. E nem são os árabes os vilões que os EUA pintaram, nem é o Ocidente o malvado que os radicais islâmicos costumam dizer que são.
Enquanto muito do que se sabe sobre os muçulmanos aqui no Ocidente vem de fontes também ocidentais, cria-se um imaginário de que os árabes sejam atrasados, tradicionalistas e opostos ao nosso estilo de vida. “Essa é a explicação favorita do mundo Ocidental para a condição do mundo árabe nos anos 1990 e 2000”, escreveu Fred Halliday.
A verdade é que os árabes não são excluídos do mundo, e, ao contrário do que se imagina, não são uma só massa civilizacional, homogênea e unida. Não é nem preciso citar a invasão do Kuwait, as disputas entre os países da península árabe e o Iraque e os conflitos políticos entre os países muçulmanos para entender que eles não se dão tão bem assim.
Mesmo no que concerne à economia, os países árabes são bem heterogêneos, e enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, veem suas economias prosperarem, há regiões pobres como a Líbia e outros países muçulmanos africanos. “Não existe [portanto] nada como a ‘Economia Islâmica’ mais do que algo como o ‘Sistema Bancário Islâmico’, ‘Aeronáutica Islâmica’ ou a ‘Matemática Islâmica’”, afirma Fred Halliday. O que ele quer dizer é que não há como generalizar tudo ao “Mundo Islâmico”.
O Mundo Islâmico, na realidade, não existe. Ele existe como a congregação de países islâmicos, mas não como uma grande região de economias, populações e políticas iguais. Pegue-se, por exemplo, os casos da Tunísia e da Turquia, países nos quais o uso do véu pelas mulheres, em prédios de repartição pública, é proibido. E aí tem o Irã, aonde o uso do véu é obrigatório em qualquer ocasião
Falar em uma grande civilização islâmica, portanto, não significa que todos esses países – tão diferentes um do outro – sejam iguais e antiocidentais. E os problemas dos árabes não podem também serem todos jogados em cima dessa “islamitização”.
O que Fred Halliday diz é que, embora grandes líderes árabes de hoje defendam o anti-imperialismo, sejam contra o Ocidente e tratem o mundo árabe como uno, o grosso da população não está nem aí para isso tudo. O que as pessoas querem é emprego. Muitos, inclusive, nem são a favor da disputa com o Ocidente, não são consumados por esse ódio anti-ocidental.
Não se pode, portanto, falar em disputa cultural quando apenas uma elite mantém-se em conflito com o Ocidente. Não é a cultura muçulmana que tem, quase que intrínseca a si, antipatia pelos ocidentais – pelos EUA mais ainda. São esses próprios “mitos”, essas inverdades mesmas, criadas quase que todas pelo próprio Ocidente, que alimentam uma animosidade demonstrada por aiatolás, xeques e terroristas – mas não pelos árabes per se.
Chamar de “choque de civilizações” o embate entre Oriente Médio e Ocidente é simples demais. Pode significar desmerecer uma série de outros fatores culturais, mas também políticos, econômicos e ideológicos que fazem de cada Estado árabe também muçulmano, também islâmico, mas não necessariamente radical.
vBi
Photographers, Reuters
para mim, o blogue mais sensacional do momento é o Photographers, da agência Reuters. a ideia é bem “simples”: os fotojornalistas da Reuters publicam suas melhores fotos, acompanhadas de texto. e o mais bacana de tudo é que os textos seguem bem aquele padrão jornalístico estadunidense: como se os jornalistas estivessem contando uma história, mas acompanhada das fotos – extremamente ilustrativas, claro.

outro dia teve uma postagem que me fez levantar questionamentos acerca dos critérios de seleção de “melhor foto jornalística do mundo inteiro”, que aqueles prêmios costumam dar. não há uma foto do Photographers que eu não ache incrível, e não há um post que seja sem graça. hoje mesmo, o jornalista Fayaz Kabli, enviado à Cashemira, fez uma postagem sobre o conflito na região, e quais são os principais desafios de um enviado à uma zona de conflito. uma das fotos mais impressionantes, para mim, é a terceira, que mostra um soldado sozinho contra uma multidão que está atacando pedras nele.
também acho bacana o conceito do blogue de não ser uma coisa estritamente jornalística. quero dizer que alguns fotógrafos, como Kabli, postam para também dar dicas a outros fotojornalistas, ou para simplesmente contar alguma experiência. além disso, os conteúdos nem sempre são sérios! os posts podem ser sobre qualquer coisa, o que importa mesmo são as imagens – elas que definem o assunto, elas que devem ser ótimas.
além de tudo, é um blogue, geralmente, descontraído e leve. por mais que hajam posts sobre guerras e algumas imagens fortes, o grosso são os textos leves e imagens interessantes. mesmo quando o fotógrafo está em uma região de conflito, algumas vezes ele conseguiu capturar alguma cotidianice do lugar, alguma curiosidade do povo local, enfim, nem sempre algo de ruim…
vale muitíssimo a pena acompanhar! assinem o feed.
vBi
140

“minha meta é conseguir dormir 8 horas essa noite. vou conseguir!“. “@biafalcao – Vc tava mais pra arrastão do que pra protesto mesmo”.”Play With Your Food, Just Don’t Text! http://bit.ly/kXeQb”. assim é o dia-a-dia de um twitteiro: caótico, aparentemente sem sentido algum e cheio de informação – útil e inútil.
depois da febre fenomenal da ferramenta Twitter - serviço de “mini-blogging” online -, era de se esperar que alguém tivesse a grande ideia de explorar de outras formas a ferramenta. e foi o que Frank Kelly, diretor de cinema irlandês, resolveu fazer: levar ao extremo o conceito de “o que você está fazendo (neste exato momento)?”, pergunta-chave do passarinho azul.
inspirado na conectividade, sincronicidade, loucura e caos que é o Twitter, Kelly propôs algo bem simples: contatar 140 pessoas, mundo afora, que, no dia 21 de Junho, deverão todas filmar, ao mesmo tempo, 140 segundos do que estiver acontecendo em suas vidas. é o Twitter cinematográfico. do material recolhido, Frank fará um documentário de aproximadamente 90 minutos sobre o que ele descreve como “um dia na vida do planeta”.
o tema central das filmagens será “tudo aquilo que conecte quem estiver filmando ao seu lar”, afirmou o diretor em entrevista à revista Paste. baseados nisso, os 140 “diretores” podem filmar qualquer coisa que queiram, contanto que o façam sincronizadamente e que sejam honestos no que concerne ao tema. para o irlandês, não será difícil conseguir isso, pois o recrutamento para as filmagens foi todo voluntário.
até o momento, devido às reportagens em diversos veículos online – inclusive brasileiros -, Frank Kelly já conseguiu voluntários de mais de 15 países, entre eles Singapura, Holanda, China e Costa Rica. os representantes brasileiros, por enquanto, são apenas 3 – um dos quais eu mesmo. o recrutamento aleatório parou em 120 pessoas, quando o diretor decidiu ser mais criterioso e levar em consideração que o filme fica mais rico conforme mais pessoas de mais nacionalidades participam. ele, portanto, só está aceitando inscrições de gente de lugares novos.
quem for filmar deve sabe das regras, e o estará fazendo por livre e espontânea vontade. por esse motivo, Kelly avisa que, durante apenas esse dia de suas vidas, essas 140 pessoas devem ficar acordadas as 24 horas, ou até o momento em que ele avise, por um twit, claro, o momento de início das filmagens.
vBi
você faz xixi no banho?
são maravilhas de campanhas como essa que fazem o dia de todos mais alegre. ainda bem que meu irmão colocou no Twitter!
http://www.xixinobanho.com.br/
o site – e a campanha – é da entidade SOS Mata Atlântica, que luta pela defesa ambiental. a ideia é simples: fazendo xixi durante o banho – e convenhamos, muita gente aí deve fazer -, a pessoa economiza, diariamente, 12 litros de água – uma descarga. imaginem se todos fizessem isso?
tá ok, parece nojento. quando ouve-se da primeira vez realmente não dá uma boa impressão. mas, como bem explica a campanha, todo o repúdio à prática foi criado, na verdade, pelo imaginário popular. a urina não traz doença, não é nojenta – quase 95% de água – e não afeta em nada. claro que ninguém está manjando fazer xixi no próprio pé! é só mirar no ralo!
vBi
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