veja Bien…

um olhar inusitado sobre os fatos.

o show do ano (que ainda nem começou direito)

Thom Yorke ao piano: o ápice da música contemporânea

Thom Yorke ao piano: o ápice da música contemporânea

 

são 22h – no meu relógio, inclusive, um pouco antes disso. as luzes do palco do festival Just A Fest se apagam e o público começa a delirar. é o Radiohead que está entrando. é Thom Yorke que chega à frente do palco para saudar os brasileiros – muito embora sem falar nada por enquanto. aí que começa, com 15 steps, a apoteose indie nacional, o ápice de todas aquelas 30 mil pessoas que se reuniram na Chácara do Jockey, em São Paulo, para conferir o show tão prometido e nunca realizado até então.

o show do ano. alguém consegue bater?

o show do ano. alguém consegue bater?

 

não há palavras exatas que me venham à cabeça para descrever o show do ano. não por frescura, mas eu simplesmente não me lembro da apresentação. a dose de adrenalina e emoção foi tanta que é como se eu não estivesse ali naquele espaço. e, confesso, eu NÃO sou fã ardoroso de Radiohead, e, se soube cantar 10 músicas, foi demais – foram 26 ao total.

do momento em que entrou, até quando saiu oficialmente, afinal, foram 3 bis, o Radiohead emocionou, alegrou e contagiou o público. gente do Brasil inteiro tinha vindo para ver a apresentação histórica que, na minha opinião, está entre as 5 melhores de todos os tempos. e Thom Yorke e companhia certamente devem ter se emocionado com o calor e receptividade brasileiros, depois de tantos anos de espera ansiosa.

em três músicas, que eu realmente não lembro quais – volto a dizer: apaguei da minha memória, só lembro da sensação-, o grupo já tinha parado de cantar quando as possíveis 30 mil pessoas na Chácara do Jockey entoaram um coro arrepiante e continuaram a música. em um dos momentos, Yorke voltou a música e a banda acompanhou, perplexa, os fãs. era engraçado, principalmente para quem estava mais à frente, notar a expressão dos músicos, que não paravam de apaludir o público e emocionavam-se conosco. (o brasileiro não fez feio, huh?)

havia um sentimento, aliás, de se estar em um arco-íris, ou melhor, em vários arco-íris. sem exageros, mas a música do Radiohead levava as pessoas para outra dimensão, bem mais leve e colorida.

show, literalmente, In Rainbows

show, literalmente, In Rainbows

 

claro, todo o conjunto da obra ajudou o Radiohead a consagrar-se como “a apresentação do ano”. a montagem do palco e as luzes deram um toque especial a mais às canções – dramático e emocionante. surreal era estar vendo o Radiohead no Brasil em meio a uma confusão de luzes - In Rainbows? - e de sensações. as cores das luzes mudavam a cada música, e atingiram seu ápice ao final do show, quando, maestrosamente, o Radiohead tocou seu maior hit, Creep, e os canhões de luz que ficavam atrás da banda estouraram em diversas cores. outro momento que, embora eu quisesse muito lembrar e ter registrado em minha memória, não sei como foi. aliás, sei, porque lembro da sensação, da emoção, da beleza, mas não fisicamente das luzes.

o curioso da apresentação do Radiohead é que estava clara toda a importância daquele show. havia gente ali que era fã, meio fã, fã fervoroso, e gente que nem gostava tanto, mas queria ver o Radiohead porque era o Radiohead, porque eles estavam, finalmente, no Brasil.

o momento emocionante em que Thom Yorke tocou "Eveything In It's Right Place"

o momento emocionante em que Thom Yorke tocou "Eveything In It's Right Place"

 

 

não tem como negar que, mesmo o ano mal tendo começado, dificilmente alguém baterá o Radiohead. 2009 já é deles. e é deles porque seus shows aqui, antes de mais nada, estavam carregados dessa simbologia especial: a primeira vez que eles vinham ao País. também porque Radiohead é sinônimo de indie E de rocke, claro, porque eles não deixaram nada a desejar ao seu público e fizeram apresentações memoráveis, tanto no Rio quanto em São Paulo.

não há descrição boa o suficiente que explique o que foi esse show. não há fã que consiga pôr em palavras o que sentiu no dia 22 de Março de 2009. não existe ninguém que estivesse ali que possa dizer, efetivamente “o show foi assim” ou “assado”. e não porque não queiram ou não sejam bons o suficiente, mas porque, imagino que vão concordar, é impossível. impossível porque, nessa noite de 22 de Março, o Radiohead tomou conta deles, do corpo de cada um, e só nos largou ao som de Creep, quando todos já se desesperavam pelo fim de algo que poderia ter sido infinito.

"no matter how it ends. no matter how it starts"

"no matter how it ends. no matter how it starts"

Março 24, 2009 Publicado por Lucas | Música, comentários e observações | , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

um tal de “sexo” e um escritor que odeia seu país

quinta-feira, na faculdade, o escritor e publicitário André Sant’Anna foi dar uma palestra – seguida de uma coletiva – sobre um livro seu até que meio polêmico: Sexo. a obra, em si, confusa e um tanto quanto nojenta – muito embora esse fosse o intuito, aparentemente – não me chamou a atenção. depois de ler, tudo o que eu queria era falar com a pessoa que tinha se dado ao trabalho de escrever aquilo. (lembro, inclusive, que uma das perguntas que queria fazer era “qual o propósito de escrever isso?”. mas não perguntei.)

como o próprio André Sant’Anna falou em seu discurso, a internet é mesmo um meio livre em que qualquer um pode resenhar e criticar o que quiser. pois bem. eu admito que já não tinha gostado do livro, mas estava super curioso sobre o autor. até ele começar a falar.

André Sant’Anna me perdeu completamente quando resolveu entrar no discurso típico do “a grama do vizinho é sempre mais verde”. comentando sobre seu livro, resolveu explicar suas motivações para escrevê-lo, que iam desde um ódio inexplicável pelo Brasil ao fato de, aqui, “ser um fato que negros, pobres, fedem, afinal, passam o dia inteiro trabalhando, pegam ônibus e, portanto, fedem”. como sou jornalista, devo explicar que a frase tinha um contexto, para não parecer que ele foi extremamente racista! o escritor comentava um dos personagens do livro, um negro, que fede.

bom, como aluno, nós bem sabemos que não podemos simplesmente falar o que nos vem à cabeça sem temer retaliação, portanto fiquei calado. mas eu não enxergo a ligação entre ser negro, trabalhar e feder. então negro pobre trabalha só em áreas que o fariam, devido ao esforço físico, suar e feder? ou são todos os negros pobres que têm um “subtrabalho” desse tipo? tudo bem, eu entendo que ele não quis ofender e nem ser racista. longe disso. mas cuidado com as palavras é pouco.

o que mais me irritou nem foi isso. foi quando começou o discurso anti-brasil. porque aqui as pessoas “finjem ser o que não são”; brasileiro é, naturalmente, ignorante, sofredor e gosta de se fazer passar por feliz. enfim, depois de 2 dias, já não consigo lembrar exatamente o que ele falou, mas em suma, aqui as pessoas cometem as maiores barbáries e atrocidades, enquanto que, no resto do mundo – Europa e EUA, imagino, que é o resto do mundo pra muita gente -, as pessoas são civilizadas. o brasileiro seria “falso moralista”, preconceituoso, malandro demais. e ainda enganamos a nós mesmo com campanhas do tipo “o melhor do Brasil é o brasileiro” e “brasileiro não desiste nunca”. para o André, as pessoas supervalorizam o Brasil e o brasileiro.

o mundo não é 8 nem 80, como diz o ditado. esse patriotismo extremado é mesmo estúpido. também o é esse ódio em demasia pelo próprio país. essa autocrítica e mania de sempre se referir ao Brasil como lugar horrível aonde a devassidão e a sexualidade - carnaval - são quase que lemas de vida do povo, enquanto que na Europa todos são super comportado e fino, é simplesmente coisa fraca demais. ao meu ver, o brasileiro sabe sim ser feliz. o carnaval, só por meio de exemplificação, é a cultura do nosso país, gostemos ou não. isso nos define brasileiros. e, sinceramente, há uma frase sobre cultura que devia ser cravada na mente de todas as pessoas: “nada é melhor, nada é pior. tudo é diferente”.

tocar no assunto cultura e brasilidade comigo é pedir para: ou sair brigado, ou sair melhores amigos. não só porque eu trabalho com isso em uma ONG, inclusive, mas porque eu faço sim parte dos que acreditam no potencial do País. e odeio quem critica nesse nível, principalmente quando começam a argumentar coisas sem sentido e sem embasamento. se o brasileiro tem um defeito, não é ser pobre de cultura. porque isso não o somos. é ser muito autocrítico e ter essa mania estúpida de achar o outro sempre melhor. ninguém é perfeito. nem os alemães.

André Sant’Anna definitivamente me perdeu quando resolveu entrar no assunto. mas tudo bem. cada um tem sua opinião. do mesmo jeito que eu não gosto desse tipo de gente, ele deixou claro que não gosta de gente como eu. ficamos quites. meu problema não está com a crítica em si, mas com os argumentos. crítica é sempre boa de ser ouvida!

sobre a obra dele, simplesmente devo dizer para lerem o livro “Sexo” e tirarem suas próprias conclusões. pessoalmente, não gostei do livro. mas já não tinha gostado antes de conhecer o autor. talvez outro de seus romances sejam bons. este, para mim, não é. e não é porque eu não gostei do estilo, nada com o conteúdo.

 

vBi

Março 22, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações | , , , , , | Sem comentários ainda

monobloco

depois do carnaval, eu resolvi comprar o CD do Monobloco e estou viciado. é realmente muito bom. não tem como dizer que você não gosta desse tipo de música!

 

Monobloco ao vivo, capa do CD

Monobloco ao vivo, capa do CD

 

 

eu comprei, na verdade, o cd Monobloco Ao Vivo. tem 14 músicas, dentre as quais vários clássicos do samba nacional e umas versões de forró muito legais. todas as faixas são extremamente pra cima e é aquele típico CD de domingo de almoço em casa com os pais.

o negócio do Monobloco é parecer, justamente, um bloco de carnaval, daqueles que saem nas ruas do País – menos de SP, aparentemente. as músicas têm todas uma batida de marchinha/sambinha. é a retomada do carnaval brasileiro para qualquer época do ano!

o que eu mais gostei no CD, no entando, é que as faixas são contínuas. claro, porque é ao vivo, mas eu gosto desse tipo de CD em que uma música termina e começa a outra sem o ouvinte perceber. e isso dá um ritmo sem igual ao CD! e não é que os caras toquem músicas super animadas e rápidas o tempo inteiro, então a disposição das faixas ficou muito bem feita, pois ela acalma e reanima nos momentos certos!

dá orgulho de ser brasileiro ouvir ao Monobloco ao Vivo. sabe aquela sensação de “esse é o rito do meu país”? é bem isso. tem clássicos do Tim Maia, uns funks, Jorge Ben…

CD de carnaval que serve para qualquer época do ano. é só acordar, colocar e ver a vida ficar mais feliz. nem tem como ficar parado.

ainda falta eu assistir ao DVD, que comprei junto. aliás, o vocalista não é o cara da “diarista”?

 

vBi

Março 7, 2009 Publicado por Lucas | Uncategorized | , , , , | Sem comentários ainda

um curioso caso

o meu mais novo “queridinho” dos cinemas é o tal do Bejamin Button. fui assistir ao filme somente ontem, em um desses tediosos domingos. e não me arrependi.

na verdade eu já estava querendo ver O Curioso Caso desde que vi o trailer na TV. exatamente por ter ficado curioso com aquilo! um cara que rejuvenesce ao invés de envelhecer? e principalmente: como diabos eles conseguiram fazer o Brad Pitt parecer um moleque de 20 anos?!

outra de minhas dúvidas, que é explicada bem ao início do filme, era como uma pessoa poderia nascer velha? ele ia sair como da barriga da mãe? mas não, o Bejamin Button não nasce velho exatamente. ele nasce um bebê. só que com as características de um velho. (e, o mais curioso de tudo é que ele morre bebê também).

o filme certamente desperta umas sensações estranhas em quem assiste. aqueles que têm medo de envelhecer não vão gostar muito, acho. mas mesmo quem é desencanado com essas besteiras sai pensativo. afinal, como é dito em uma das cenas, no final nós todos viramos “crianças”, de certa forma, e precisamos que alguém cuide de nós.

e o filme não é bom só pelo apelo filosófico. a história é ótima – quase não dá para sentir as quase 3 horas de filmagem – e os atores estão muito bem. a única coisa que confesso não ter entendido é o contexto “Furacão Katrina” do filme. a história inteira na verdade é em flashback, pois é uma filha lendo o diário de Benjamin para sua mãe – e elas, no presente, estão em um hospital enquanto o furacão se aproxima.

vale totalmente a pena ver, de qualquer forma. vá sair lá do cinema e colocar esse cérebro para raciocinar um pouco e ver o que realmente significa envelhecer.

 

vBi

Março 2, 2009 Publicado por Lucas | comentários e observações, recomenda-se | , , , | Sem comentários ainda