veja Bien…

um olhar inusitado sobre os fatos.

Resenha “ônibus 174″

Se há um clichê para definir o filme Ônibus 174, de José Padilha, é “um tapa na cara”. Poderia falar-se, também, em “soco no estômago” ou qualquer outra frase desse nível. Mas o que impressiona mesmo no vídeodocumentário não são esses lugares-comuns que ele traz; são os “lugares-comuns” cotidianos que ele explicita de forma impressionante; são aquelas verdades brasileiras escondidas por debaixo do pano das quais se costuma dizer que “não acontece comigo”.

O que o diretor José Padilha mostra no relato do famoso caso do ônibus da linha 174 – que foi sequestrado em 12 de Julho de 2000 no Rio de Janeiro, no bairro do Jardim Botânico – é justamente que há uma indiferença por parte do povo brasileiro quanto ao que acontece na sociedade – e, obviamente, quais as consequências disso. O cineasta leva a falta de consideração do brasileiro das classes médias e altas, sua completa alienação, à última instância, que é o seqüestro do ônibus per se.

A história se passou em 2000, quando o Brasil inteiro assistiu pela televisão ao sequestro de um ônibus no Rio. Todo o processo levou uma tarde inteira para culminar no assassinato do sequestrador e de uma das reféns. E o que poderia, se fosse para ser filmado, transformar-se em um Tropa de Elite mais comercial, acabou virando documentário nas mãos de Padilha, que procurou mostrar o lado do sequestrador, Sandro Barbosa do Nascimento, e tentou fazer o público enxergar para aonde caminha a sociedade no Brasil.

Uma das partes mais marcantes do filme é quando resolve-se falar de outro episódio vergonhoso da história do Rio de Janeiro, A Chacina da Candelária, na qual 8 jovens moradores de rua foram cruelmente assassinados por policiais militares. O narrador, no momento em que está falando sobre o ocorrido, conta que, à época, para a sociedade como um todo, a atrocidade havia sido bem executada, e a maioria das pessoas concordavam com aquilo. A população sempre quis simplesmente exterminar essa “escória” da sociedade.

Com Sandro as opiniões não foram muito diferentes. São incríveis as imagens feitas depois que o sequestrador já havia sido baleado, nas quais centenas de civis correm para o local e começam a dar pontapés e chutes no marginal. As pessoas esquecem, porém, que anos atrás concordaram com um ato de barbárie equiparável ao que passaram a tarde a assistir – ironicamente, veio a descobrir-se que Sandro era um dos sobreviventes da Chacina.

José Padilha coloca, portanto, em discussão quem pode ser realmente taxado de vilão e de “mocinho” na história do ônibus 174. O diretor, porém, não se preocupa em exprimir abertamente sua opinião, mas, antes, prefere fazer germinar o debate social por trás da história de um menino pobre que viu sua mãe ser assassinada, teve que se mudar para as ruas do Rio, sobreviveu a uma chacina cometida por policiais e acabou seqüestrando um ônibus sem, porém, matar ninguém – não se sabe oficialmente quem matou a única refém vitimada, mas é sabido que o primeiro tiro, na cabeça, foi dado por um policial.

As diversas fontes ouvidas pela equipe do filme denotam sua provável imparcialidade no assunto: algumas das reféns passam o filme inteiro contando o fato, mas a mãe de criação de Sandro, sua tia e uma assistente social que cuidou dele intercalam seus depoimentos com os de alguns policiais e até mesmo de um colega marginal do sequestrador.

O fio condutor do documentário, a história de fundo, que é a do sequestro, é mantido pelos depoimentos de quem viveu a situação. Mas o filme preocupa-se em, a toda hora, mostrar o que tudo aquilo quer dizer em um país no qual grande parte da população não tem direito a recursos humanos básicos, em que o sistema carcerário funciona aquém daquilo esperado para se garantir o mínimo de direitos humanos, e aonde uma elite preconceituosa acha melhor exterminar bandido e morador de rua ao invés de pensar em formas de acabar com essa situação precária.

Sem focar sempre no que acontece no ônibus, o filme vai contando pequenas histórias de ex-colegas de rua de Sandro, denuncia situações esdrúxulas em prisões  e casas de reeducação social brasileiras, mostra como a opinião pública é completamente alienada e bárbara, e tenta convencer o espectador de que “as coisas não são bem assim”.

É certamente um filme que revolta e causa desconforto. E esses sentimentos são causados justamente porque o público sabe que tudo aquilo que está sendo falado ali na tela é verdade; que todos os debates ali propostos são sérios; que ninguém realmente nunca faz nada. As pessoas sabem que “ninguém faz nada pelos Sandros” do Brasil. O público que assiste a Ônibus 174 tem consciência da realidade que não quer aceitar – por isso sai tão abalado do filme.

O que realmente acaba sendo irônico é que José Padilha, que tentou sacudir o brasileiro e abrir-lhe os olhos, não fez mais que causar um sentimento instantâneo nele; um falso moralismo momentâneo que perdura, no máximo, até a conversa no bar pós sessão de filme para a maioria. Muitos saem revoltados, querem mudar alguma coisa naquele momento, mas aí vão dormir, acordam no outro dia e fecham as portas para os milhares de Sandros que Padilha tentou mostrar. No fim, é difícil encontrar alguém que de fato esteja disposto a tentar mudar a situação. E aí o Brasil continua, até o ponto em que, possivelmente, estoure novamente a realidade e outro ônibus 174 aconteça.

 

vBi

novembro 26, 2009 Posted by | comentários e observações, repescadas | , , , , , , , | Deixe um comentário

Termina o MediaOn, em São Paulo, com debates sobre as ferramentas web

Se os temas dos debates do segundo dia do MediaOn, seminário internacional de jornalismo realizado pelo Terra, giraram em torno de como a web deve ser utilizada e quais são seus entraves financeiros, no último dia de palestras a pauta foi como esse uso das ferramentas 2.0 impacta tanto o profissional quanto o leitor. Durante os quatro painéis foram discutidos temas como TV digital, viabilidade e custo de empresas para web, o importante papel do jornalismo esportivo nessa mídia e o impacto das redes sociais no cotidiano do jornalista.

Tiago Dória, blogueiro do portal IG que debateu no último painel do evento, definiu a internet como “único meio em que a notícia não fica ‘amarelada’ no papel; em que não tem prazo de validade”. A web tem a característica de armazenar por tempo indefinido as produções jornalísticas, sem, no entanto, torná-las envelhecidas. E é com isso em mente que o jornalista online deve pensar suas matérias e possíveis pautas. Por isso também, de acordo com vários dos outros debatedores, não adianta “fazer mais do mesmo” e republicar aquilo que vem da mídia impressa de forma crua no online.

“Não adianta mais a gente se contentar em dar a notícia primeiro. O que conta é a apuração”, analisou o colega de painel de Dória, José Roberto de Toledo, diretor da PrimaPagina. Para ele, os jornalistas online são conectores de informação que devem estar o tempo todo não apenas conectados, mas atentos às redes sociais. É dessa interação com essas redes, aliás, que surge a qualidade para outro palestrante, o jornalista esportivo Julio Gomes, que falou no sétimo painel. “Prestamos atenção no que as pessoas acham do nosso trabalho. Isso é essencial”.

O jornalista online não pode fugir da realidade do mundo e das tecnologias, pois nada está parado no mundo da web. Os comentários em blogues, os tweets, os scraps do Orkut são importantes para o trabalho jornalístico, pois servem não só como medidor do impacto da notícia como do próprio trabalho. É no que acredita, pelo menos, o paraibano Sílvio Meira, que palestrou no sexto painel. “[O jornalista] tem que participar da construção na web”, afirmou. Esse profissional teria que manter diálogo constante com as redes sociais e aceitar a forma como a web está se moldando. Hoje, a internet é uma comunidade enorme na qual há convergência de mídias e informações. Mas ela está em constante mudança.

Informaticidade foi como Sílvio Meira definiu essa convergência toda – em que a sincronia é algo extremamente importante. O conteúdo é acessável a qualquer momento e de qualquer lugar.

André Mermelstein, que debateu a informação em tempo real junto com Sílvio, atenta para outra característica do uso das ferramentas web: “Gasta-se, por exemplo, R$ 1 mi em uma campanha que pode ser destruída por um post de um leitor com menos de R$ 1”. O conteúdo criado pelo jornalista é facilmente encontrável em qualquer lugar da web, mas o leitor também dispõe da mesma “informaticidade” que o jornalista, e, podendo acessar e usar a internet a praticamente qualquer momento, pode também criar seu próprio conteúdo e derrubar o do profissional.

A internet abriu portas para que o caminho de duas mãos fosse construído. Para Tiago Dória, o diferencial da imprensa tem que ser saber usar a rede a seu favor, ao invés de apenas fazer parte dela. Saber usar o Twitter, o Facebook, o Orkut, o Google e outros diversos como ferramentas que enriqueçam a matéria. “O objetivo”, conclui José Toledo aludindo à ideia do Twitter, “é ter sua mensagem passada adiante”.

 

vBi

outubro 30, 2009 Posted by | Uncategorized | , , , , , , , | Deixe um comentário

Segundo dia do MediaOn traz debate sobre como o jornalista deve trabalhar

O conteúdo online deve ser pensado exclusivamente para a internet, levando em consideração seu público e não reaproveitando material das mídias tradicionais. Foi em torno desse consenso que os debates do segundo dia do MediaOn, seminário de jornalismo online realizado pelo Terra, giraram. De acordo com vários dos expositores, nesse novo cenário é o leitor quem pauta os jornalistas, que veem-se desafiados a aceitar a nova forma de trabalho.

“Como deveria ser o jornal online?”, perguntou-se o palestrante Pedro Doria, colunista do caderno Link do O Estado de S. Paulo, no primeiro Painel, sobre revolução digital. “Toda informação sobre um determinado assunto deve estar em uma página, que é permanentemente atualizada e reúne uma comunidade de pessoas interessadas naquele assunto”, respondeu o jornalista à plateia.

Uma característica da ferramenta web é, portanto, poder atualizar constantemente as informações – sem, porém, perder a qualidade do conteúdo. “Tudo se resume em compartilhar informação, mas isso é bem mais difícil do que parece”, afirmou Nathalie Malinarich, editora-executiva da BBC News Online e palestrante do segundo painel. A grande dificuldade, ainda segundo ela, seria lembrar que as ideias adaptam-se à mídia na qual serão veiculadas, o que os jornalistas nem sempre se recordam quando vão publicar um material de mídia impressa. “A pergunta a ser respondida é: ‘como isto funciona para a minha audiência e na minha plataforma [online]?”, analisa.

Já outro dos palestrantes, o argentino Marcos Foglia, que apresentou o case do grupo Clarín, no terceiro painel, enxerga uma dificuldade dentro de cada um dos próprios profissionais em aceitar as mudanças e, principalmente, em acompanhar o ritmo da evolução. “Estamos na era da transição”, afirmou, “da transição dos meios offline para os meios online”. E o jornalista – em especial aqueles mais antigos -, ainda segundo ele, teria que aceitar essa mudança profunda em sua cultura; uma mudança dentro das próprias redações. “Os jornais vão desaparecer tal como existem hoje e terão que se adaptar à nova realidade”, afirmou.

No caso da rede britânica BBC, estão sendo feitos investimentos fortes na área do jornalismo na web. Mas lá, boa parte do patrocínio vem do dinheiro público. “O jornalismo de qualidade é caro”, lembrou Foglia. Foi o que aconteceu com a Rede Record no Brasil, por exemplo, que lançou há pouco mais de um mês seu portal R7 – que recebeu investimentos (privados) altos para sua implementação, no intuito de atingir esse padrão de qualidade alto. “Eu cheguei e falei ‘contratem os melhores’. Foi o único pedido que fiz”, contou Antonio Guerreiro, Diretor de Conteúdo do R7.

O profissional de web deve, segundo Nathalie, lembrar-se sempre de que desenvolve conteúdo para o leitor. É dessa consciência que viria a qualidade do jornalismo online. “Se você está na web, por exemplo, você linka as pessoas para outros conteúdos. É isso que [o jornalista] tem que fazer”, afirmou ela. Seu colega argentino, Marcos Foglia, complementou, mais tarde: “é imprescindível para esse novo profissional passar, portanto, a maior parte de seu tempo online”.

 

vBi

outubro 28, 2009 Posted by | Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

MediaOn, seminário de jornalismo online, começa discutindo a qualidade do profissional

O 3º seminário internacional de jornalismo online, MediaOn, realizado pelo portal latino-americano Terra, teve início nesta terça-feira, 27, com debate, no Itaú Cultural, com o jornalista investigativo estadunidense Joshua Benton sobre jornalismo de qualidade na web. Benton é também diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, e pesquisa justamente os rumos da profissão no meio online.

Para ele, que se diz um otimista, “neste mundo no qual há escolhas crescentes, as pessoas estão elegendo outras mídias que não as impressas para se informarem”. A internet, portanto, segundo o analista, veio para mudar profundamente o jornalismo, não para matá-lo, como muitos acreditam.

O pico de circulação dos jornais diários, nos Estados Unidos, deu-se durante o final da segunda guerra mundial, no ano de 1945. De lá para cá, as tiragens vêm diminuindo e as pessoas têm buscado outros meios de comunicação. “O declínio, portanto, começou muito antes de a internet chegar”, afirmou Benton. Os impressos, para ele, dificilmente deixarão de existir, mas terão de reinventar-se, assim como aconteceu com o rádio quando da invenção da televisão.

O que o especialista afirmou serem algumas causas, em seu país, para a crise da mídia impressa são a grande extensão territorial – o que dificulta a existência de um grande jornal de tiragem e abrangência nacional – e o alto número de pessoas conectadas à rede. Além disso, não há como negar os baixíssimos custos da internet quando comparados aos dos meios em papel – um anúncio de ¼ de página, por quatro domingos seguidos, custa em torno de 157 mil dólares, enquanto a mesma propaganda na web sai por 7 mil e quinhentos dólares por todo um mês.

Mas não é só o marketing que contribui para a decadência do jornalismo impresso tal como é conhece hoje. Os leitores também buscam algo a mais: menos de 1% dos internautas estadunidenses, por exemplo, visitam as páginas dos grandes veículos na web. “Enquanto que do ponto de vista do jornalista há informação demais, do lado do leitor poderia haver mais coisas”, afirma Joshua. Ou seja, o leitor busca informações e notícias por outros canais que não os tradicionais. É um movimento alavancado pela internet.

O papel do jornalista, nessa conjuntura, é atuar mais como filtro das informações online, levando o leitor para outros sites relevantes e direcionando-o para que se aprofunde no conteúdo de seu interesse. “Até hoje os jornais têm filtrado conteúdo que poderia ser interessante e dado prioridade apenas a um tipo de informação”, continua o jornalista. Ele citou como exemplos redações de poucas pessoas que, focadas nesse intuito de mais que informar, têm tido sucesso maior que as tradicionais páginas dos grandes jornais dos EUA. Em outras palavras, como aconselhou outro colega, Jeff Jarvis, em citação apresentada por Joshua, “façam o que fazem de melhor, e linquem o resto”

Dado todo esse cenário, o jornalista terminou sua palestra com um alerta para que os profissionais mantenham o alto padrão de qualidade da profissão: “a internet treinou as pessoas para ouvirem a informação através de uma espécie de contato social; ela não tolera descaso ou falta de comunicação entre o novo jornalista e o leitor”. E terminou lembrando que “nós [jornalistas] vamos ser as pessoas que lêem os websites para que os leitores não tenham que fazê-lo”, em uma alusão à ideia de Jeff Jarvis.

 

vBi

outubro 28, 2009 Posted by | cotidianices | , , , , , , , , , | 3 Comentários

Jovens ocupam seu tempo viajando ao redor do mundo e aprendendo novas culturas

A palavra Globe Trotter, de origem inglesa, define um tipo especial de viajante ainda raro no Brasil, mas já conhecido mundo afora. Os trotadores globais são, geralmente, jovens e passam longos períodos viajando pelos lugares mais inusitados do mundo em busca de novas e diferentes culturas – e, muitas vezes, fazem da viagem sua vida. Para eles, não há lugar ruim nem bom, apenas lugares novos.

Alguns desses Trotters, como o norte-americano Matthew Keppnes, 26, chegam mesmo a largar suas vidas completamente em busca de aventuras em países diferentes. Bem diferentes, no caso de Matthew, que já esteve em locais como Singapura e, desde 2006, não retorna a sua casa.

Matthew em foto de divulgação de seu próprio blog

Matthew em foto de divulgação de seu próprio blog

Para ele, tudo começou com uma viagem à Tailândia que o fez decidir voltar para os Estados Unidos, terminar a faculdade, largar o emprego e sair sem um rumo certo. “Em um primeiro momento fiquei bastante nervoso com a idéia. Depois, fiquei excitado e ansioso, mas uma vez que você se liberta da rotina de acordar, trabalhar e voltar para casa, você se sente definitivamente mais livre”, afirma o jovem.

A “loucura” do rapaz já o levou a lugares tão exóticos quanto o Butão, e certamente o dá fôlego para continuar firme com sua idéia de “conhecer o mundo inteiro”. Para se manter durante suas excêntricas viagens, Matthew possui um site sobre viagem chamado Nomadic Matt (algo como “o nômade Matt”) e arranja trabalhos esporádicos em locais que gosta de ficar um pouco mais. “Eu trabalho um pouco, junto dinheiro, viajo, escolho um lugar e volto a trabalhar. E tudo continua num ciclo vicioso (até o dia em que eu decidir parar com isso)”, conta.

Apesar do chavão, para essas pessoas o importante é, literalmente, conhecer os quatro cantos do mundo. Ou, pelo menos, os lugares mais diferentes possíveis dentro daquilo que podem. É o caso, por exemplo, de outro globe trotter, Andrew Hayes, que também escreve para um site – blog – sobre viagem. Ele, por exemplo, não tem como viagens preferidas nenhum lugar extremamente exótico. Mas ao invés de ir a cidades comuns e fazer programas de turista, ele visita locais aos quais quase ninguém vai.

“Um dos lugares mais surpreendentemente bonitos que conheci é Melbourne, na Austrália. A cidade foi como um sonho que se transformou em realidade – foi exatamente o que eu imaginei que a Austrália seria”, diz Andrew. Segundo ele, o ar cosmopolita de Melbourne se mescla com uma sensação de provincianismo, o que o fez sentir como se “tivesse chegado a um lugar que conhecesse a vida toda”.

Brasileiros trotadores

A essência de um trotador global está em justamente gostar de viajar e não ter nenhum tipo de preconceito. Engana-se quem pensa que eles viajam apenas para os confins do planeta. Ser um conhecedor do mundo é justamente conhecer o que é diferente e descobrir o que houver de inusitado nas cidades turísticas.

O que não se pode esquecer, porém, é que um globe trotter não é apenas um turista. O turismo existe para eles, mas viajar é mais que lazer; é viver, aprender como o mundo é. Por isso, não é tão fácil assim decidir visitar lugares como atividade cotidiana, o que explica o fato de serem poucos os brasileiros que realmente se empenham em trotar pelo mundo.

O problema desse tipo de decisão é que, para os brasileiros em especial, resolver ser um globe trotter envolve muito dinheiro. Por aqui, como também ainda não há uma cultura forte de se conhecer outras regiões e países, o normal mesmo é que filhos de famílias ricas façam, no máximo, viagens para a Europa e Estados Unidos.

O Trotter Andrew quase não para em casa, mas, quando retorna, aproveita ao máximo

O Trotter Andrew quase não para em casa, mas, quando retorna, aproveita ao máximo

Viagem com cultura

Outra característica dos globe trotters é o fato de eles encararem suas viagens como forma de entender e aprender novas culturas e de se adaptar a elas, o que os torna muito mais compreensíveis e “cidadãos mais globalizados”. Andrew Hayes, por exemplo, conta que quando esteve na Austrália resolveu participar do Tamworth’s Country Music Festival, um festival de música country típico. “Eu até cheguei a participar da maior roda de dança do mundo! E veja bem que eu não gosto de música country, mas as pessoas eram amigáveis e eu passei o tempo inteiro rindo. O que mais alguém poderia querer?” afirma.

Já uma colega sua de blog, Amanda Kendle, que é australiana, gosta de, além de viajar, ficar certo tempo em algumas das cidades pelas quais “trota”. Isso a ajuda a entender melhor a cultura local e a aproveitar ao máximo sua estadia nos países. “Já vivi em Osaka [Japão], Bratislava [Eslováquia] e Heilbronn [Alemanha], e a partir dessas experiências cheguei à conclusão que as pessoas são basicamente as mesmas em qualquer lugar do mundo”, conta a australiana.

Para Amanda, a experiência mais proveitosa foi viver no Japão. “Quando cheguei não conseguia comer a comida e

Amanda em sua viagem pelo deserto do Saara.

Amanda em sua viagem pelo deserto do Saara.

sequer ler placas nas ruas! Depois de um tempo passei a entender a cultura local”, conta. Mas além de viver em países outros que não o seu, Amanda também já viajou ficando somente nas casas de locais para pernoitar. Na Rússia, ela conta que isso fez sua estadia mais interessante.

Isso é basicamente o que une essas pessoas e todos os outros globe trotters (ou seriam “cidadãos do mundo”?): a vontade de conhecer e entender as diferentes culturas dos locais que, para muitos, são considerados estranhos. Esse tipo de viajante consegue aproveitar muito mais suas aventuras e compreende muito melhor o funcionamento de um mundo cada dia mais globalizado, além de, é claro, viajar muito e conhecer sempre novos lugares.

vBi

outubro 5, 2009 Posted by | Comportamento, repescadas | , , , , , , , | Deixe um comentário

Os Brancos Que Se Entendam…

São 7 horas da manhã. Uma senhora vira-se para o marido e diz:“Buongiorno[*]. A 120 quilômetros dali, à mesa do café da manhã, um rapaz que cultiva suas raízes brinca com a mãe: “Zeg, moeder, zijn de eieren al gebakt?*. Apesar de tudo, não estamos na Europa, porque, de volta à primeira localidade, não muito longe da família italiana, um diálogo qualquer em Tupi também começa logo cedo. Wir sind im São Paulo*. Mesmo imaginários, os diálogos acima ilustram que, apenas em um Estado brasileiro, são faladas, pelo menos, 20 línguas diferentes do Português. No País todo, passam de 200 os idiomas.

O português é, de fato, o idioma mais amplamente executado no país. Trata-se, ainda, da expressão lingüística oficial da nação. Contudo, nem de longe figura como a única língua brasileira. Dos quase 190 milhões de brasileiros – censo estimativo de 2008 – espalhados em uma área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, muitos não são falantes lusófonos. A “língua do Brasil”, portanto, não é uma. São várias.

O Estado, desde 1988, deu à Língua Portuguesa o status de língua oficial única, mas reconhece o direito de cada pessoa falar e expressar-se em qualquer idioma. “Há a liberdade de cada um falar sua própria língua, sem que o Português exerça uma ‘ditadura’ linguística. A Constituição, então, reconhece aos povos que eles têm direito a sua cultura e idiomas”, afirma o Professor Eduardo Guimarães, linguista da Universidade de Campinas (Unicamp) e coordenador do projeto Enciclopédia das Línguas no Brasil (ELB).

FALARES E SOTAQUES

Curiosamente, há uma proximidade notável entre as formas lusófonas de se falar no Brasil. “Em relação ao Português de Portugal, o do Brasil tem tantas mais diferenças. Há mais variações entre este e aquele que entre os diferentes falares do Portugês brasileiro. É como se este fosse outra língua, com características particulares”, diz o professor Guimarães.

Não fosse a oficialização do idioma, porém, e dada a vasta extensão de nosso território, especialistas acreditam ser  provável que as diferentes formas da língua lusófona brasileira tivessem evoluído independentemente, criando uma quantidade impensável de dialetos, como em países como a China ou a Índia.

“O que surpreende é que, sendo o Brasil o país grande que é, haja esse grau tão enorme de proximidade entre os diversos ‘falares’ aqui. Uma pessoa do extremo sul entende perfeitamente uma pessoa do Nordeste, mesmo que aqui ou ali apareçam palavras que lhe sejam estranhas”, continua o linguista.

O português Made in Brasil

Outra curiosidade do idioma do Brasil é que ele conviveu com outras línguas, incorporando suas peculiaridades. “O Brasil é um país multilíngue. Essa característica linguística é significada politicamente pela tensão histórica entre um imaginário de unidade, comum a um grande número de países contemporâneos, e uma divisão das línguas e de seus falantes”, constata Eduardo Guimarães.

No decorrer dos anos, as influências das línguas africanas, de imigrantes e indígenas foram tantas que falar em “português” acaba parecendo equivocado para alguns estudiosos. De todos os oito países lusófonos – nove, se considerado Macau, província autônoma chinesa -, o Brasil é dos que possui o idioma que mais se separa daquele de Portugal.

“A questão da língua que se fala toca os sujeitos em sua autonomia, em sua identidade, em sua autodeterminação. E assim é com a língua que falamos: falamos a língua portuguesa ou a língua brasileira?”, questiona-se a professora Eni Orlandi, linguista e coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb), da Unicamp.

O debate data de anos; o movimento de reconhecimento do português começou, na realidade, em 1946, quando, naquela Constituição, resolveu-se que o nome “português” seria o da língua do País, sem ainda oficializá-lo como idioma oficial nacional. “Foi uma escolha política. Os constituintes poderiam ter optado por uma outra língua, o ‘brasileiro’, ou qualquer outra nomenclatura. Mas resolveram aproximar-se das nossas raízes e dizer que no Brasil também falava-se o português”, completa Eduardo Guimarães.

Mas o fato comprovado é que o idioma que se fala no Brasil, o mesmo que evoluiu do Português, difere deste – menos na normatização padrão da escrita. Mesmo essa “norma culta” existe porque continuamos a chamar nossa língua de Português, o que nos faz, portanto, obedecer às regras deste. “O português e o brasileiro não têm o mesmo sentido. São línguas materialmente diferentes”, finaliza Orlandi.

Míra paûé[†]

O “brasileiro” foi influenciado diretamente pela convivência com três grandes grupos linguísticos, um deles o das línguas indígenas. Um dos estudiosos dessas línguas nativas do Brasil é o Professor Angel Corbera, também da Unicamp. Segundo ele, hoje haveria algo em torno de 180 línguas indígenas “vivas” – ainda sendo praticadas – no Brasil. Dessas, a grande maioria pertence ao tronco linguístico do conhecido Tupi-Guarani.

“De acordo com os cálculos do professor da UnB, Aryon Rodrigues, à chegada dos europeus portugueses havia aproximadamente 1.175 línguas indígenas. Diversos fatores fizeram com que 85% das línguas desaparecesse, mantendo-se apenas 15%.”, afirma Corbera.

Mesmo com a drástica redução no número das línguas desses nativos brasileiros, sua importância é notável. “Sem dúvida, podemos aprender muito sobre a cultura brasileira conhecendo a história dos povos indígenas e pelo estudo de suas línguas respectivas. Destaca-se, sobretudo, as plantas alimentícias, frutas, plantas medicinais e industriais cultivadas pelos povos índios que eram inicialmente desconhecidas pelas culturas europeias”, conta o professor Angel.

Palavras como mandioca, Ipanema, Guarulhos, ipê, oca, entre outras – afinal, a lista seria interminável – têm, todas, origens indígenas. O que aconteceu, então, com essas línguas, com seus falantes? Depois de anos mudando nosso Português, as línguas indígenas foram dizimadas por um processo que, desde sempre, era de mão única: o Português jamais contribuiu em algo substancialmente positivo para esses idiomas; ele foi, pouco a pouco, engolindo essas línguas indígenas.

“A redução de 1200 para 180 línguas indígenas nos últimos 500 anos foi o efeito de um processo colonizador extremamente violento e continuado, o qual ainda perdura”, conta Aryon Rodrigues, professor do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília (UnB).

Portanto, os brasileiros que falam o Jê, o Nambikwára, o Tariana, o Nheéngatu, correm sério risco de perderem seu idioma. Talvez não em curto prazo, mas muitas dessas línguas estão sim ameaçadas de extinção. A família linguística do Ofayé, por exemplo, possui hoje 5 falantes no Estado do Mato Grosso, sendo que todos eles falam Ofayé-Xavânte, o que a caracteriza como a língua menos falada no País. Caso esses idiomas sejam perdidos, milhares de brasileiros terão perdido seu direito a língua e culturas próprias. E é o caminho que parecemos estar percorrendo.

O que mais podemos dizer?

Chegadas com os imigrantes no Brasil a partir de 1824, as línguas alóctones – ou de imigração, como são chamadas – no País são em torno de 35. “Algumas delas têm grande população, como o talian (ou vêneto brasileiro), o hunsrückisch (principal língua germânica falada no Rio Grande do Sul e outros estados) e o japonês”, relata Gilvan Müller, Professor da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador do IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística).

Esses idiomas estrangeiros são falados, na realidade, por cidadãos brasileiros há pelo menos três gerações. Esse tempo foi suficiente para caracterizá-los, também, como “brasileiros”, muito embora nenhum seja reconhecido pelo governo. Eles são a forma de os imigrantes manterem, de alguma forma, sua identidade cultural, e são importantes também para o Brasil por diversificar nosso país.

“Essas línguas se territorializaram e compõe o mosaico cultural brasileiro junto com as línguas indígenas, as línguas afro-brasileiras e as línguas de sinais das comunidades de surdos”, afirma Gilvan.

Hoje, ao contrário do que se pensa, essas línguas de imigrantes não estão desaparecendo, mas mudando. Muitos dos dialetos trazidos pelos europeus nos séculos passados foram adquirindo características tão singulares aqui no Brasil que atualmente só são falados em território nacional. Além disso, os fluxos migratórios depois dos anos 2000 voltaram a crescer, mas com pessoas vindas da América Latina, do Oriente Médio e da África.

Além de todas essas línguas citadas, ainda há remanescentes de idiomas africanos. “Embora não mais falados no Brasil, podem-se reconhecer suas presenças em dois contextos específicos: nos cânticos e na linguagem ritual utilizada nos cultos afro-brasileiros, e em algumas comunidades afro-descendentes (Cafundó, Tabatinga) que conservaram o uso de um léxico de origem africana”, afirma Margarida Petter, professora da Universidade de São Paulo especialista em línguas africanas.

A realidade das línguas africanas tende a mudar, visto que já são muitos os que fogem de seus países rumo a lugares como o Brasil, seja pela proximidade linguística – casos de angolanos e moçambicanos -, seja por afinidade cultural. Em pouco tempo, esses idiomas podem entrar na categoria de línguas alóctones também.

O plurilinguismo brasileiro, “um dos mais ricos do mundo”, de acordo com Gilvan Müller, define as línguas brasileiras como muito mais que somente o português, como está fincado no imaginário nacional. “’Línguas brasileiras’ é um conceito político que visa a valorizar o patrimônio e valor das línguas da população brasileira e, ao mesmo tempo, valorizar as comunidades lingüísticas. Esse conceito dá conta da necessidade de extensão dos direitos lingüísticos a todas as comunidades brasileiras”.


[*] Bom dia, em Italiano

* Diga-me, mãe, os ovos já estão prontos?

* Nós estamos em São Paulo

[†] Todas as nações, no idioma Nheengatu, de acordo com http://tupi.wikispaces.com/Vocabul%C3%A1rio+comparado+nheengatu-tupinamb%C3%A1

setembro 28, 2009 Posted by | cotidianices, repescadas | , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Record lança R7 sem nada demais

o R7, portal da Rede Record de televisão, não faz alusão ao G1 da Globo apenas no nome. todo o site parece uma cópia piorada do globo.com. a Record não se deu ao trabalho nem mesmo de mudar as fontes e a localização dos menus. até a cor azul da página da Globo foi copiada descaradamente.

em termos de conteúdo, ainda é muito cedo para falar do R7. provavelmente, espera-se que ao menos isso seja feito pela própria Record, sem copiar – ou, melhor dizendo, “inspirar-se” no concorrente. destronar o G1 é uma pretensão grandiosa demais à qual os bispos da Universal lançaram-se; é um jogo extremamente arriscado e que exigiria, no mínimo, originalidade na hora de lançar um website. no mundo online, já é sabido que “mais do mesmo” não tem atrativo nenhum.

parece, inclusive, que a Record pegou um pouco de cada concorrente e misturou tudo, o que resultou em uma página da web sem sal. as semelhanças com o portal IG – como era antigamente, mas também um pouco com o atual – também são explícitas.

que pelo menos o jornalismo do R7 consiga ser de enorme qualidade, porque, se não, não há graça nenhuma no portal que prometia mudar o jogo na web e fazer frente aos gigantes já consolidados. não dá para tentar revolucionar uma rede que, em sua essência, é absolutamente conservadora.

página principal do R7

página principal do R7

página inicial da globo.com

página inicial da globo.com

vBi

setembro 27, 2009 Posted by | comentários e observações | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Resenha CD Tropicália

Chamar um CD como Tropicália ou Panis Et Circensis de psicodélico, louco, anárquico, é cair em um clichê sem fim sobre o movimento que marcou tão fortemente a formação cultural brasileira durante a ditadura militar. E, ainda assim, é quase impossível não recorrer a esses adjetivos tão comuns uma vez ou outra. Tropicália é um disco que começa sem começar, chega no seu meio perdido e termina como algo que tem um desfecho duvidoso. E ainda assim é genial.

No ano de 1968, enquanto era decretado o Ato Institucional de número 5, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé, Rogério Duprat e outros grandes nomes da MPB juntavam-se para gravar um dos “100 maiores discos da Música Brasileira” e, também, uma das maiores críticas da arte pela própria arte.

A primeira curiosidade da compilação é ter uma faixa que não é brasileira – em um disco que representa um movimento basicamente nacional de contestação artística popular. Três Caravelas, interpretada pelos grandes Caetano e Gil, é uma versão de João de Barro de Las três Carabelas, de Augusto Algueró e Moreau. Nada que comprometa o andamento da obra, mas atrai o olhar curioso de quem para para ouvir tendo como base todo o histórico do movimento tropicalista.

Quem escuta a Tropicália logo de começo depara-se com um CD difícil de engolir e digerir. Parece que não tem uma evolução linear. Começa com Miserere Nóbis, música bastante animada, e passa direto à interpretação arrastada de Caetano de Coração Materno. Logo em seguida, Os Mutantes voltam a colocar força na compilação com Panis et Circensis – ainda hoje lembrada e escutada com paixão -, e já aí o ouvinte entende que isso tudo pode não só ser proposital como bom no fim das contas.

A mistura de estilos brasileiros entre si e com influências estrangeiras fez da obra alvo de inúmeras críticas conservadoras. O que talvez tenha passado despercebido é que, talvez, tudo fosse proposital; mesmo o uso de guitarras elétricas e influências psicodélicas poderia ser a própria crítica do trabalho artístico. E, afinal, tudo serviu para dar à compilação sua cara extremamente brasileira: uma mistura de estilos e gêneros diferentes, faixas quentes, enfim, tropicais.

A sacada esperta da obra é que seu pano de fundo, seu fio condutor, está nas letras, não apenas nas melodias e/ou intérpretes. O que transforma o disco em fundamental são as músicas um tanto quanto estranhas, difíceis, “drogadas”. O que parece não ter sentido é aquilo que justamente faz de Tropicália uma obra contestatória tão lembrada. E é por isso que o não-sentido tem, afinal, toda a razão do mundo.

Parque Industrial e Geleia Geral, que parecem jogadas em meio a um monte de músicas que, só aparentemente, não têm conexão alguma, retratam o brasileiro e o Brasil. País e povo. O desenvolvimento econômico e seus reflexos na primeira e, como o próprio nome da segunda dá a entender, a mistura que é o brasileiro – nossos costumes, folclores, crenças populares, etc. São duas faixas que criticam também o modo como a vida no País era conduzida.

A faixa Parque Industrial ironiza ainda com a realidade e com aquilo que se dizia que o Brasil era – ou, antes, aquilo em que estava se transformando. Não é à toa que a “grande festa em toda a nação” era por algo “made in Brazil”, com z mesmo. Nem nossa própria cultura caminhava por caminhos nacionais; a influência estadunidense irritava os mais conservadores expoentes da cultura popular brasileira. E a ditadura militar que se justificava pelos avanços econômicos via uma de suas piores críticas.

O desfecho do disco, um Hino ao Senhor do Bonfim, traz a ironia de transformar um símbolo do popular em soberano, em pátrio. Enquanto o Hino Nacional – e todos os outros – coloca o Estado acima de tudo e todos, sendo louvado e adorado, “idolatrado” com gritos de “salve, salve”, a última faixa é responsável por rearranjar isso colocando em evidência o que vem do povo, uma crença popular brasileira.

É uma pena que, hoje, apesar de sua enorme importância e influência na formação cultural da música brasileira, Tropicália ou Panis et Circensis tenha caído quase que em esquecimento. Talvez as pessoas não estejam mais acostumadas ao tipo de som – então não seria a hora de algo parecido vir para quebrar alguns parâmetros? Embora algumas faixas continuem vivas no popular nacional, a grande maioria perdeu-se no tempo. O próprio movimento cultural parece ter ficado no anonimato. Ainda assim, vale lembrar que esse ainda é, se não o primeiro deles, um dos discos que todo brasileiro tem que ouvir antes de morrer.

vBi

setembro 22, 2009 Posted by | comentários e observações, repescadas | , , , , | Deixe um comentário

e o Afeganistão vai às urnas

não foi esse exemplo máximo de democracia, mas os afegãos puderam, hoje, votar em quem será seu próximo presidente desde que o Talebã saiu do governo há quase 10 anos. ainda não se sabe quem ganhará o pleito, mas as apostas estão todas na reeleição do atual presidente, Hamid Karzai.

lá no Afeganistão, para se eleger, o candidato deve conquistar mais que 50% dos votos. caso o contrário, é convocado um segundo turno. os presidenciáveis com mais chances de ganhar, por enquanto, são Karzai e Abdullah Abdullah, ex-chanceler do atual governo.

o curioso foi que, mesmo com todas as ameaças, e mesmo com a presença do Talebã, as eleições correram normalmente. houveram sim casos de atentados em um ou outro lugar, mas, no geral, quem queria votar conseguiu fazê-lo. até na província de Helmand, considerada “reduto de insurgentes”, a votação ocorreu em relativa paz.

mas tudo isso pode ser questionado. o governo afegão proibiu que a mídia divulgasse qualquer notícia sobre os atentados durante as eleições, e chegou até mesmo a prender jornalistas estrangeiros no País. quase um exemplo de democracia, mas aí ainda há o problema com a (falta de) liberdade de imprensa.

um passo de cada vez.

vBi

agosto 20, 2009 Posted by | mundanas, politicagem | , , , , | Deixe um comentário

o fim da martirização dos judeus?

que desde o final da Segunda Guerra os judeus são colocados em um pedestal todo o mundo já sabe. após as atrocidades do holocausto, o povo judeu foi praticamente todo transformado em santos, e o mundo simplesmente fechava os olhos para os abusos que os israelenses cometiam no Oriente Médio. mas isso tudo parece estar mudando.

esta semana, um porta voz do governo alemão, que, depois da Guerra, sempre foi o mais ameno com os judeus, condenou as incessáveis construções israelenses de mais acampamentos e assentamentos nas regiões que, oficialmente, depois do traçado da Linha Verde, pertencem à Palestina. e não é só o governo alemão que resolveu parar de passar a mão na cabeça do povo israelense: com a posse de Barack Obama, o país judaico perdeu um grande aliado na política internacional.

o mundo – e os europeus, principalmente – sempre se sentiram muito devedores em relação aos judeus. tanto que, depois de 1945, resolveram enfiá-los no meio da já existente Palestina e formar um Estado israelense – que contou, até há pouco, com total apoio do ocidente. a velha questão sobre “a quem pertence esta terra?” levantou-se e, daí para a frente, o mundo viu uma guerra que está longe de terminar. e a nação ocupante – judeus – não para de expandir-se, acuando cada vez mais os palestinos.

de alguns anos para cá, porém, parece que o mundo – principalmente a ONU, a Europa e, agora, os EUA – finalmente abriu os olhos e passou a enxergar os judeus como um povo qualquer. não são santos, não são inocentes, e, como muitos outros Estados, ambicionam territórios alheios. os israelenses parecem ter caído de seu pedestal beatificado, e cada vez mais organizações e países enxergam que, apesar de tudo que lhes foi feito, eles também cometeram atrocidades horríveis.

hoje, parece que só os judeus não querem criar dois Estados na região da Palestina. para eles, ou é a região toda, ou não é nada. (mas é claro que o motivo para tal decisão são os “terroristas”. assim como também foi esse o motivo para a última invasão do Iraque, e para muitos outros problemas). o mundo inteiro vem condenando veemente as políticas israelenses no Oriente Médio, e o Estado vem enfraquecendo-se sem a maioria de seus aliados.

ainda é cedo para dizer que Israel cederá, ou que perdeu completamente seus principais aliados, mas já pode ser verificado um enfraquecimento da influência (pelo sentimento de culpa do resto do mundo) judia. será que é o começo do caminho para a paz no Oriente Médio?

vBi

julho 21, 2009 Posted by | mundanas, politicagem | , , , , , , , | Deixe um comentário

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